30 de agosto de 2014

A obscura história da Monsanto

 

A Monsanto é a maior produtora de herbicidas do mundo, e está entre as cem empresas mais lucrativas dos EUA. Apenas nos últimos dois anos, investiu US$ 6,7 bilhões na aquisição de outras companhias norte-americanas de sementes e biotecnologia, tornando-se a maior empresa do ramo.

 

A Monsanto Chemical Company foi fundada em 1901, em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos. Nos anos 20, se converteu num dos maiores fabricantes de ácido sulfúrico e de outros produtos básicos da indústria química. Desde a década de 40 até hoje sempre se manteve entre as dez maiores indústrias químicas dos Estados Unidos.

 

Em 1929 a Swan Chemical Company, adquirida pouco depois pela Monsanto, desenvolveu os bifenilos policlorados (PCBs) que foram elogiados por sua extraordinária estabilidade química e ininflamabilidade. Os PCBs, ou escarel, foram largamente utilizados como refrigerantes de equipamentos elétricos. Nos anos 60, os numerosos compostos da família dos PCBS da Monsanto foram usados como lubrificantes de ferramentas, revestimentos impermeáveis, refrigeradores de transformadores. Nos anos 30 já se tinha alguns indícios dos perigos dos PCBs. Nos anos 60 e 70 os cientistas apresentaram dados conclusivos: os PCBs e outros compostos organoclorados provocavam câncer e estavam relacionados com um conjunto de transtornos reprodutivos e imunológicos. O centro mundial de produção de PCBs era a fábrica da Monsanto em East Saint Louis. O lugar hoje é um subúrbio de empobrecimento crônico. A cidade tem a taxa mais elevada de morte fetal e de nascimentos prematuros do estado. O Ascarel é proibido hoje no mundo, mas ninguém sabe o que fazer com as milhões de toneladas do produto estocadas por todo planeta. Há cerca de cinco anos a imprensa noticiou que favelados cariocas estavam pegando ascarel de um depósito e usando-o como óleo de cozinha!

 

O herbicida conhecido como agente laranja foi usado pelos militares norte-americanas dos EUA para desfolhar as árvores da selva tropical do Vietnã durante a guerra nos anos 60. É uma mistura de dois tóxicos poderosos, o 2,4,5-T (ácido Triclorofenoxiacético) e 2,4-D (ácido Diclorofenoxiacético). Ele era fornecido por várias empresas, mas o da Monsanto era o mais poderoso por conter níveis maiores de dioxinas . As dioxinas, já se comprovou, são carcinogênicas e teratogênicas (gera fetos mal formados). Por conta desta eficiência, a Monsanto foi a principal acusada na demanda interposta pelos veteranos de guerra que, depois do conflito, apresentaram uma série de doenças atribuídas a exposição ao agente laranja.

 

É preciso observar que os militares prestaram serviço por no máximo um ano no Vietnã. Mas e os nativos da região? Estimativas dão conta da existência de mais de 500 mil crianças nascidas no Vietnã desde os anos 60 com deformidades relacionadas às dioxinas contidas no agente laranja. Uma ação judicial, motivada pela denuncia de trabalhadores ferroviários expostos a dioxinas em conseqüência de um descarrilamento, revelou a existência de dados manipulados. Um funcionário da Agencia de Proteção Ambiental Americana (EPA) concluiu que os estudos foram manipulados para apoiar a posição da Monsanto, que defendia que os efeitos das dioxinas limitavam-se à cloroacne (uma enfermidade da pele). A Monsanto teve que pagar US$ 16 milhões e se revelou que muito dos produtos da empresa, desde herbicidas caseiros estavam contaminados por dioxinas.

 

Em 1990, um memorando da Dra. Cate Jenkins, da EPA, dizia: "a Monsanto remeteu informações falsas à EPA."A empresa adulterou amostras de herbicida que remeteram ao Departamento do Ministério da Agricultura dos EUA para registrar o 2,4-D e vários clorofenóis; ocultou provas sobre a contaminação do Lysol, além de excluir centenas de seus antigos empregados enfermos de seus estudos comparados de saúde.

 

O grande negócio da Monsanto são os venenos. Os herbicidas (eliminadores de ervas daninhas) a base de Glyphosate, caso do Roundup, representam mais de um sexto do total das vendas da empresa. A empresa faturou US$ 1,2 bilhão com a venda do Roundup.

 

A Monsanto fazia uma propaganda do Roundup onde dizia que ele era "biodegradável" e "inócuo para o meio ambiente". O Governo dos EUA obrigou a empresa a tirar estas expressões da propaganda e a pagar uma multa de US$ 50 mil.

 

Em 1997, a empresa também teve que pagar US$ 50 mil por um processo que acusava-a de propaganda enganosa no tocante a biodegradação do produto. Em março do ano passado (1998) a Monsanto teve que pagar uma outra multa de US$ 225 mil porque colocou na etiqueta uma restrição de entrada de trabalhadores na área tratada em somente quatro horas, quando o certo seriam 12.

 

Além das já citadas, em 1986 a Monsanto pagou US$ 108 milhões por responsabilidade na morte de um trabalhador por leucemia. Em 1990, pagou US$ 648 milhões por não comunicar a EPA dados sanitários que lhe foram requeridos. Em 1991, pagou US$ 1 milhão por ter vertido 750 mil litros de água residual ácida no meio ambiente. Mais US$ 39 milhões em Houston (Texas) por depositar produtos perigosos sem isolamento.

Conforme a EPA, a Monsanto é a quinta maior empresa poluidora de águas dos Estados Unidos. Ela já lançou na terra, água, ar e subsolo, 166,8 milhões de toneladas de produtos químicos.

 

A subsidiária da Monsanto, GD Searle, produz o adoçante artificial Aspartame, vendido sob o nome comercial de "Nutrasweet" e "Equal". Pois bem, em 1981, quatro anos antes da Monsanto comprar a Searle, a FDA (Agência que controla os alimentos e fármacos dos EUA) confirmou que "o Aspartame poderia induzir a tumores cerebrais". A FDA cancelou a licença de venda do Aspartame, mas um grupo nomeado pelo presidente Ronald Reagan anulou tal decisão. Um estudo mais recente, publicado no Journal of Neuropathology and experimental neurology, de 1996, voltou a citar a relação entre o aumento no número de cânceres cerebrais devido ao uso da substância.

 

Fonte: Rede Agricultura Sustentável

10 de agosto de 2014

Frutos



Mesmo sendo palavras muito parecidas, fruto e fruta possuem uma grande diferença em questão de classificação, cada uma se destina a uma estrutura, sendo ainda comparadas com um pseudofruto, que também possui a sua singularidade. Mesmo sendo muito parecidas, a diferenciação dessas palavras é bem fácil de fazer e é isso que você verá nesse artigo.

O fruto é o resultado do amadurecimento do ovário das flores, garantindo a proteção e auxiliando a dispersão das sementes surgidas após a fecundação. Ocorre exclusivamente nas Angiospermas. Em geral, a transformação do ovário em fruta é induzida por hormônios liberados pelos embriões em desenvolvimento. Existem casos, porém, em que ocorre a formação de frutos sem que tenha havido polinização. Quando isso ocorre, ele é chamado de fruto partenocárpico, como é o caso das bananas.

Quando as sementes já estão prontas (maduras) pra germinar, o fruto se rompe liberando-as para o solo, ou então estão prontos para serem ingeridos por outros animais.

Um fruto é constituído por duas partes principais: o pericarpo, resultante do desenvolvimento das paredes do ovário, e as sementes, resultantes do desenvolvimento dos óvulos fecundados.


PERICARPO

O pericarpo é dividido em epicarpo, que seria a sua “casca”; o mesocarpo, geralmente comestível; e o endocarpo que é a sua camada mais interna.



Em geral o mesocarpo é a parte do fruto que mais se desenvolve, sintetizando e acumulando substâncias nutritivas, principalmente açucares.

Os frutos podem ser do tipo:

Frutos simples: são frutos oriundos do desenvolvimento do pedúnculo ou do receptáculo de uma única flor. Ex.: limão, pêra, maracujá, maçã, mamão.

Mamão, fruto simples. Foto: chevanon / Shutterstock.com


Frutos compostos: são frutos que se originam do desenvolvimento do receptáculo de uma única flor, porém com muitos ovários. Ex.: morango.

Morango, fruto composto. Foto: Tim UR / Shutterstock.com


Frutos múltiplos ou infrutescências: neste caso estes frutos se originam a partir do desenvolvimento de ovários de muitas flores de uma mesma inflorescência, e crescem juntos, unidos. Ex.: figo, amora e abacaxi.

 Abacaxi. Foto: Viktar Malyshchyts / Shutterstock.com

Quanto à consistência de seu pericarpo, podem ser divididos em frutos carnosos e frutos secos.

Frutos carnosos são classificados em:

Baga: várias sementes, facilmente separáveis (soltas) do fruto. Ex.: laranja, berinjela e goiaba.
Drupa: formam caroço (duro), geralmente em volta da única semente contida no fruto. Ex.: azeitona, manga e coco-da-baía.

Frutos secos são classificados em:

Deiscentes: quando maduros, abrem-se naturalmente e liberam as sementes. Ex.: vagens de feijão e ervilha.

            Tipos de frutos deiscentes:


Folículo: abre-se pela sutura do único carpelo (uma fenda) – uma só abertura. Ex: peroba, chichá, grevílea.
Legume ou vagem: abre-se por duas suturas (duas fendas) – formando duas tampas. Ex: feijão, ervilha.
Síliqua: na deiscência, separam-se duas valvas, com septo mediano, no qual ficam as sementes. Ex: crucíferas – couve, canola, rabanete.
Cápsulas: apresentam vários tipos de abertura, como as septicidas (fumo, azaléia), loculicidas (quiabo, eucalipto, algodão); a pixidiaria ou transversal (bucha, jequitibá, castanha-do-pará); poricidas (papoula).

Indeiscentes: não se abrem quando estão maduros. Ex.: girassol, arroz e tipuana.

Tipos de frutos indeiscentes:

Cariopse: fruto com uma semente aderida ao pericarpo. Ex: grãos: milho, trigo, arroz.
Sâmara: o pericarpo possui uma ou mais expansões aladas. Ex: tipuana, pau-brasil.
Aquênio: apresenta uma semente presa à parede do fruto. Ex: girassol, picão.

SEMENTE

A semente é o óvulo da flor desenvolvido após a fecundação. É a semente que abriga o embrião, a futura planta. A semente é composta de tegumento e amêndoa.

O tegumento é a camada externa da semente (casca), que cobre a amêndoa, parte principal da semente. A amêndoa possui duas partes: embrião e albúmen.

O embrião: forma a nova planta.

O albúmen: contém substâncias nutritivas que irá alimentar o embrião nas primeiras fases de desenvolvimento.


DISSEMINAÇÃO DE SEMENTES E FRUTOS

A disseminação das sementes no ambiente é importante para a sobrevivência da espécie, pois diminui a probabilidade de que caiam muito próximas umas das outras, evitando a competição entre elas.

Anemocoria: apresentam sementes leves ou frutos leves, com pêlos ou expansões aladas que facilitam o transporte pelo vento.

Zoocoria: os frutos são atraentes (odor, cor), servindo de alimentos para os animais. Algumas sementes para germinar, necessitam passar pelos tratos digestores de animais, como ocorre com a planta parasita erva-de-passarinho. Em outras espécies zoócoras, os frutos são secos, mas possuem formações que os prendem ao pelo de animais, sendo levados a grandes distâncias. Ex. carrapichos e picões.

Hidrocória: possuem frutos ou sementes que retêm ar. Desta forma o fruto pode ser transportados flutuando na água. É o caso do coco-da-baía, fruto com o mesocarpo fibroso que retém o ar.


PSEUDOFRUTOS OU FRUTOS FALSOS

Toda vez que a parte carnosa do fruto, geralmente comestível, for originada de outra parte da flor que não seja o ovário, o fruto não é verdadeiro. São então chamados de pseudofrutos ou falsos frutos. Ex. a maçã, o morango, o caju.




PARTENOCARPIA

Um caso especial é a banana, que não tem sementes visíveis, pois é um fruto obtido sem que o óvulo seja fecundado. A esse fenômeno denomina-se partenocarpia.


ENTÃO...

Os frutos são muito abundantes na Terra, e ocupam os mais diversos ambientes. Por produzir alimento a partir de luz solar (fotossíntese) e servir de alimento para animais, podemos ter uma pequena noção da importância que os frutos têm para manutenção das espécies de angiospermas bem como, no caso dos pseudofrutos, sementes, frutos simples, frutos compostos, entre outros, que são utilizados na nutrição de algumas formas de animais onívoros e vegetarianos.

BIBLIOGRAFIA